quinta-feira, 11 de março de 2010

De novo, momento de ver

O inconsciente se manifesta sempre como o que vacila num corte do sujeito – donde ressurge um achado que Freud assimila ao desejo”
Lacan,Sem 11,pag 32





A palavra “excomunhão” me tirou num contra-pé, de um dado lugar. Lugar dado, dado lugar. Dado...disse a vocês: “Os dados estão lançados”ao me referir aos dados do grupo que se formou para o trabalho do Tear 4, feitas as apostas de cada um. No que diz respeito ao inconsciente, Freud reduz tudo o que chega ao alcance de sua escuta à funçao de puros significantes. É em função desta redução que pode aparecer, um momento de concluir, de julgar e de concluir. Isso é o que se poderia chamar um testemunho ético. “Ex/comunhão”. Recém saída de um dado lugar, lugar dado de trabalho e dado lugar de trabalho me disponho a trabalhar de novo e repetidamente. E aqui é preciso me situar. Da rememoração à repetiçao, não há mais orientação temporal, nem reversibilidade. Não são comutativas, Lacan lembra, não é a mesma coisa começar pela rememoração para lidar com as resistências da repetição, ou começar pela repetição para ter um começo de rememoração. A função tempo é aqui de ordem lógica.
Um recorte feito no texto de Lacan, após ter ouvido e me dado conta da excomunhão me recoloca na experiência.

..."é pela repetição, como repetição da decepção, que Freud coordena a experiência, enquanto que decepcionante, com um real que será daí por diante, no campo da ciência, situado como aquilo que o sujeito está condenado a ter em falta, mas que essa falta mesmo revela.” Sem 11, pag 42

Para mim a experiência pontual e lógica do trabalho em psicanálise, teoria, clínica e vida, campo a que estou condenada a ter “em falta”, sempre “em falta”, me move, neste momento,Tear 4 afora, em diante.
Angela Porto


quarta-feira, 10 de março de 2010

sem nome

apenas comunico -entrei no blog......

segunda-feira, 8 de março de 2010

No capítulo X, do seminário XI- os quatro conceitos fundamentais da psicanálise, intitulado Presença do analista, Lacan diz sobre a transferência:
"que maneira melhor de se garantir,..., do que persuadir o outro da verdade do que lhe adiantamos!....Ao persuadir o outro de que tem o que nos pode completar, nós nos garantimos de poder continuar a desconhecer precisamente aquilo que nos falta." Diz assim da relação entre tapeação e amor.
Fico me perguntando se a "tranferência ao texto", este amor ao "saber não sabido", não pode funcionar como garantia do desconhecimento do que nos falta, como algo que serve para tamponar mais do que desvelar. Ou melhor dizendo, como fazer desta trança algo que seja um mais além de um gozo..!? Sim, é claro que o texto não responde! E é aí que ele nos lança na busca, nos põe a trabalho.
Quando não se pode fugir deste saber sobre o inconsciente ( ah! se pudesse não hesitaria ...e não teria êxito!) na sua dimensão subjetiva e teórica só resta nos colocar a trabalho, teer, fiar, tramar, contornar buracos com fios de palavras, com fios de aranha. Na teia, ora se é mosca ora aranha...alienação e separação.
Também no samba há um passo chamado trança - gesto de pernas e quadril riscando o chão e o espaço....ritmo, repetição, criação. Como diz o poeta ( Manoel de Barros), "repetir...repetir... até fazer diferente."

domingo, 7 de março de 2010

A Função causa: hiância

“A causa não é racionalizada.”
“Só existe causa para o que manca.”
“O ics se mostra pelas mancadas.”

A função causa é esburacar a rede de significantes, ou a rede de significantes é esburacada pela função causa?

Quando o sujeito informulado chega ao mundo, se sobrepõe a ele a rede de significantes pré-existente. O lançamento sonoro do sujeito é capturado pela rede e pelo o afeto de quem é o porta voz da cultura, e o significa.
Então o ponto inaugural provém do campo do outro e se faz no ato desse encontro.
A possibilidade do sujeito fica então aprisionada na rede de significantes (alienação), que só se mostra verdadeiramente nas mancadas do ics.

É esse sujeito do ics que deve advir trazendo uma tentativa de significação de sua particularidade. E a aposta é de que se faça trabalho para se criar sentido para o sujeito ali (separação).

Então o que causa é algo que ainda não entrou na rede de significantes...
O que causa tem uma estruturação própria como uma linguagem com conexões cifradas, absolutamente particulares, e que devem ser decodificadas pelo sujeito na rede.

Acho que esta é a proposta do Tear 4: texto, experiência, interjeição, ócio.
A psicanálise me causa, quero mais. O que? Significações, sentido.
Pode estar no prazer do estudo, na convivência, nas trocas da experiência, e mesmo no ócio do cafezinho...

Simone Caporali